A escala de qualidade de vida do animal (HHHHHMM): como saber quando é o momento

É a pergunta mais dilacerante que um dono pode fazer: é o momento? Ansiamos por uma certeza, e só temos a dúvida. A boa notícia: não é suposto respondê-la sozinho, nem «por intuição». Uma ferramenta veterinária simples ajuda a ver com clareza.

Uma escala para sair da dúvida

A Dra. Alice Villalobos, veterinária oncologista, criou uma escala de qualidade de vida para acompanhar os animais em fim de vida, no âmbito do seu programa «Pawspice». O seu objetivo não é decidir por si, mas substituir uma impressão difusa por uma observação concreta, e levar essa decisão com o seu veterinário, nunca sozinho.

Os 7 critérios da escala HHHHHMM

Memoriza-se facilmente: cinco «H» e dois «M». Cada critério pontua-se de 1 a 10 (10 é o melhor):

  • Hurt — a dor. A dor está controlada? A capacidade de respirar é aqui prioritária: respirar bem está acima de tudo.
  • Hunger — o apetite. Come o suficiente, por si próprio? Precisa de ajuda, ou até de ser alimentado à mão?
  • Hydration — a hidratação. Bebe o suficiente? Está desidratado?
  • Hygiene — a higiene. Mantém-se limpo, sobretudo após as necessidades? Consegue poupar-lhe feridas e desconforto?
  • Happiness — a felicidade. Mostra ainda interesse, alegria, resposta à família? Ou parece apagado, ansioso, isolado?
  • Mobility — a mobilidade. Consegue mover-se sem ajuda, levantar-se, sair ou chegar à caixa de areia?
  • More good days than bad — mais dias bons do que maus. Quando os dias maus predominam de forma duradoura, a qualidade de vida já não existe.

Avalie a qualidade de vida do seu animal

Mova cada cursor de 1 (pior) a 10 (melhor). O índice e a barra atualizam-se em direto.

5
5
5
5
5
5
5
1 = pior 10 = melhor
Índice de qualidade de vida 35 / 70

Este índice é uma ajuda à reflexão, não um veredicto. A decisão toma-se sempre com o seu veterinário.

Como usá-la

Pontue cada critério de 1 a 10 e some: o total vai até 70. Como referência habitual, um animal que obtém pelo menos 5 em cada critério mantém uma qualidade de vida considerada aceitável. Não é uma guilhotina: repita a avaliação com regularidade — todas as semanas, depois todos os dias se necessário — e anote os resultados para acompanhar a evolução. Partilhe-os com o seu veterinário: é em conjunto que a escala ganha todo o sentido.

Como ler o resultado

Uma pontuação que baixa, e sobretudo um «mais dias maus do que bons» que se instala apesar dos cuidados, são sinais fortes. A escala não decide por si; ancora a decisão na realidade observada, dia após dia, em vez da emoção de um instante. É precisamente isso que a torna preciosa quando tudo se turva.

Para além dos números

Nenhuma escala substitui o que sabe do seu animal. Conhece a pequena luz no seu olhar, os gestos de que gostava, o que o fazia vibrar. Quando essas coisas se apagam uma a uma e já não voltam, a sua intuição costuma coincidir com o que os números mostram. Confie em ambos.

A escala também alivia a culpa

Avaliar a qualidade de vida não ajuda só a decidir: ajuda também a viver o depois. As investigações mostram que quem se apoia numa ferramenta destas sente menos culpa. Chegado o dia, poderá olhar para trás e ver que a sua decisão assentava em factos, não num abandono; e isso muda tudo no luto que se segue.

Quando o momento chega

Se a avaliação confirmar que o sofrimento predomina e já não pode ser aliviado, oferecer uma partida serena torna-se um último ato de amor. Não tem de carregar esta escolha sozinho: o seu veterinário está lá para a esclarecer, responder às suas perguntas e acompanhá-lo. Se há crianças em casa, também pode envolvê-las, conforme a sua idade.

Depois: um lugar para recordar

Quando chegar o momento de voltar o olhar para tudo o que ele foi, o AmiAmor oferece-lhe um lugar suave para o fazer: uma página em sua memória, uma foto, algumas palavras, uma vela. Um lugar para honrar uma vida, quando a decisão ficar para trás.

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Perguntas frequentes

O que é a escala HHHHHMM?

Uma escala de qualidade de vida criada pela Dra. Alice Villalobos. Pontua de 1 a 10 sete critérios: dor, apetite, hidratação, higiene, felicidade, mobilidade e a proporção de dias bons e maus.

Que pontuação indica que é o momento?

Não há um limiar rígido. Como referência, pelo menos 5 em cada critério reflete uma qualidade de vida ainda aceitável. Um total que cai e dias maus maioritários de forma duradoura são sinais a discutir com o seu veterinário.

Com que frequência usá-la?

Com regularidade, e cada vez mais à medida que a situação evolui: todas as semanas, depois todos os dias se necessário. Anotar as pontuações ajuda a ver a tendência.

A escala decide por mim?

Não. É uma ferramenta de objetividade, não um veredicto. Esclarece a decisão, que toma com o seu veterinário e o seu conhecimento íntimo do seu animal.

Fontes

Alice Villalobos — HHHHHMM Quality of Life Scale (Hurt, Hunger, Hydration, Hygiene, Happiness, Mobility, More good days than bad), programa Pawspice.

Estudo de validação (2023) sobre a qualidade de vida animal e o luto: apoiar-se numa escala de qualidade de vida sustenta a decisão e reduz a culpa sentida pelos donos.